1 de agosto de 2009

com o tempo a gente esquece...

"Com o tempo a gente esquece que a toalha molhada sobre a cama deixou úmido o lençol recém-trocado e se lembra de como foi delicioso tomar um banho demorado depois do dia mais cansativo da semana, porque a toalha molhada sobre a cama é apenas e tão somente uma toalha molhada sobre a cama. Com o tempo a gente esquece a janela aberta, e a porta fica apenas encostada – e por aí vão entrando novas idéias e saindo posturas viciosas, que é preciso mesmo arejar os ambientes e tirar o mofo da vida. A gente esquece as chaves no bolso e desiste de trancar o riso. E, às vezes, também se esquece de lembrar o próprio nome e passa a se chamar Passarinho, Correnteza ou Ventania. Ou Céu.
Com o tempo a gente esquece a reserva que fez no restaurante e passa a tarde no quintal chupando fruta do pé. Com o tempo a gente se esquece de como é que se fuma, e de como é que se bebe, e respira fundo a sobriedade de estar com a cabeça fresca e o corpo pronto para o que der e vier. A gente esquece que acabou a margarina e que faltou sal no feijão, a gente esquece que adoçou o café com açúcar ao invés de adoçante, a gente esquece que o arroz cozinhou demais – e dá de ombros porque nem dá nada passar um dia sem margarina, e sal demais aumenta a pressão, e comer açúcar uma vez na vida não vai fazer disparar o ponteiro da balança, e qual o problema de comer arroz um pouco mais molinho? Com o tempo a gente se esquece de ligar o celular, a tevê e o computador – e dá vontade de encontrar alguém pra jogar conversa fora ou de ficar em casa com o corpo largado no sofá e os pés sobre a mesa, curtindo um abraço e uma caneca de chocolate quente. A gente esquece o guarda-chuva em cima da mesa da cozinha e vê que bom mesmo é sacar fora os sapatos e se enfiar por entre os pingos d’água, bom mesmo é lavar a alma numa chuva inesperada. A gente esquece o relógio e, sai a pé e vai lá fora viver sem hora pra voltar.
Com o tempo a gente esquece como é que se faz as malas, porque tudo que se pretende é ficar. A gente se esquece de que tudo tem um preço, e quer mais é pagar pra ver. A gente, com o tempo, até esquece que o filme é dublado, e entra no clima da interpretação canastrona da versão aportuguesada porque o filme é o mesmo, e a gente já viu, e vale a pena ver de novo de qualquer jeito porque o John Malkovich está matando a pau ou a Bette Davis nunca esteve tão malvada. Com o tempo a gente se esquece do bicho-papão, do boi da cara preta, da vaca que foi pro brejo e entende que o que era doce está muito longe de acabar. Com o tempo a gente esquece que cresceu e vê que o tempo que passou não faz tanta diferença assim, e que sempre é hora de esquecer muita coisa para lembrar-se do que realmente importa. É que, com o tempo, a gente se lembra da gente. E disso, quando a gente lembra, a gente nunca mais se esquece."

24 de julho de 2009

Lembre-se de todas as coisas que queríamos
Agora todas as nossas memórias nos assombram
Nós sempre tivemos a intenção de dizer adeus
Mesmo sem punhos erguidos, sim
Nunca teria dado certo, sim
Nunca tivemos a intenção de lutar ou morrer

Eu não queria que nos queimássemos
Eu não vim aqui para te magoar
Eu não posso parar

Eu quero que você saiba
Que não importa
Onde pegamos essa estrada
Alguém tem que partir
E eu quero que você saiba
Você não podia ter me amado mais
Mas quero que você siga em frente, eu já segui

Olhar pra você assim, torna tudo mais difícil
Mas eu sei que você vai encontrar outro alguém
Que não fará você chorar sempre
Começou com um beijo perfeito
Então nós sentimos o veneno se espalhar
A perfeição não poderia manter este amor vivo

Você sabe que eu te amo
Eu te amo o suficiente para deixá-lo ir

Eu quero que você saiba
Que não importa
Onde pegamos essa estrada
Alguém tem que partir
E eu quero que você saiba
Você não podia ter me amado mais
Mas quero que você siga em frente, eu já segui

Eu já segui
Eu já segui
Você não pode fazer isso dar certo
Quando você sabe que é errado
Eu já segui
Já segui
Não há como continuar
Então eu já segui



Already Gone-Kelly Clarkson

18 de julho de 2009

Você comigo, não poderia ser. É como lhe tenho observado e como lhe tenho sentido.
Nós dois apaixonados, seria mesmo estranho.
Um ao lado do outro sorrindo e bebendo do mesmo chá, seria mesmo esquisito.
Você comigo, não poderia ser.Dizendo qualquer bobagem e jurando amor barato.
Você sozinho, sem mim, é como quer.
Pois juntos seríamos insuportavelmente intensos.
Com nosso orgulho exacerbado e com minha modéstia declarada, seríamos mesmo deliciosamente diferentes de mais.
De mãos dadas estaríamos sujeitos à uma aproximação muito mais perigosa. E abraçados sentiríamos o coração um do outro bater. E isso seria mesmo complicado de mais para pessoas como nós. Assim, tão iguais.
Você comigo, não poderia ser.Estaríamos propensos de mais a detalhes e a momentos. Daqueles impossíveis de evitar.
Viveríamos cada sensação com toda intensidade e paixão. E isso seria mesmo confuso para mim e para você. Já que somos tão impessoais.
Você sozinho, sem mim, fica muito mais seguro em seu quarto. Enquanto lê algum livro e bebe água. O que aliás, é muito mais responsável e racional do que suco de abacaxi para você.
Um com o outro, não poderia ser.Desobedeceríamos as regras que nós mesmos criamos para nós, dentro de nossas redomas de vidro e mentes incansáveis.
Eu com você, não poderia ser.
Te abraçando, te amando e lhe sorrindo. Seríamos mesmo felizes de mais, e isso não nos convêm.
Eu sozinha, sem você, sou muito mais incontestável e independente. Determinada em minhas idéias, objetivos e razões. Demais para me ocupar com qualquer outra coisa.

Tem razão. Não poderia mesmo ser.

12 de julho de 2009

"Eu não te chamaria de amor. Tua sede é rasa e é frágil. E meu corpo não seria capaz de abrigar todos os teus cemitérios de amores em vão. Todas as tuas conquistas pela metade e teus lamentos de homem confuso. Te amo sim, mas isso não te nomeia 'amor meu'. Tu é a beleza de um passado antigo. Nostalgia de amor inacabado. Sentimento puro de saudade encerrada. Pela metade, pois em metade te vi partir. Tu é homem cego, dono de olhos castanhos. Paixão que dilata meu peito estufado de questões e pecados sem respostas, sem perdão. É minha má companhia, meu tesão fora de hora. Sempre combinando com sábados quentes. Repito: tu é meu perigo certo. Minha vontade absoluta. Mas não te chamo, te clamo ou soletro teu nome curto. Tu é folha em branco escrita com tinta vermelha. Mas não é meu ombro, braço ou colo. Tu é escudo, apenas. E eu me apaixonei pelas tuas horas vivas, não por teus carinhos sujos. Eu não te chamaria de amor. E então te amo. Mas como veio, e não como foi."

8 de julho de 2009

Z diz: é que quando bate a carencia, o carisma se torna fatal


Exatamente...

4 de julho de 2009

Tá, mas e agora?
Tu também tem as soluções para os problemas idiotas, ou acredita que dizer que ainda está vivo resolve tudo?

3 de julho de 2009

"Cheia de boas intenções. Sempre fui cheia de boas intenções. Envolvia-me com donos de corações supostamente puros, e acreditava nessa babaquice toda de príncipe encantado e vestido branco. Quer dizer, até acredito em vestido branco, mas não dessa forma piegas que dizem ser a certa.Vestido branco a gente usa em qualquer lugar. Casamento acontece em qualquer lugar.
Tá cheio de ripongas do século XXI convidando pra casamento na praia. Aquela coisa toda de vento, bolo com gosto de maresia e tiozinho mal-avisado vestindo sapato na areia. Mas casamento é isso. E quando é para amarrar dois pescoços com um laço só, tiram dinheiro até de onde não tem. A questão é o que fazer nas próximas semanas. No sábado a mulher quer colocar bob no cabelo e o maridão inventa de tirar o pijama ás 4 da tarde. A discussão do fim de semana resumi-se a: pedir pizza ou comida japonesa. Já que sair para jantar está fora de cogitação. A grana anda curta por causa da festa de casamento, e a mulher, que trabalhou a semana inteira, além de lavar a roupa, não quer cozinhar nem a pau. Mas, tá, eu sei. Tem o travesseiro com o cheiro dele do lado, a camisa amassada em cima da cama e ao abraço quente depois da chuva. Mas eu fico aqui pensando que o tal cara que vai me ver chorar e gargalhar na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, está perdido em algum planeta distante jogando video game. Mas não, não que o cara seja cópia de um daqueles bonecos namorados na barbie. Sabe? Aquele tipo: 'malho o glúteo quatro vezes por semana, tenho pele-bunda-de-nenem, e no fim de semana vou pra night!'. Não. Porque estranho é o fato de algumas mulheres sonharem com um homem perfeito. Eu não. Prefiro o cara que acorda no domingo com a barba pra fazer, soa depois do futebol e fica tímido na hora de me elogiar. O tipo que lê Vinícius de Moraes sem a pretensão de parecer piegas. Porque eu bebo cerveja, escuto música de macho e não sei se vou casar de branco. Sabe como é."